Final Album + Global Farewell Tour

Dave Mustaine escolheu fechar o círculo — e São Paulo foi uma das últimas paradas

O Megadeth lançou seu 17º e último álbum de estúdio em janeiro de 2026 e passou pelo Brasil em maio, no Espaço Unimed. Quatro décadas depois de ser demitido do Metallica por telefone, Dave Mustaine encerra a carreira com o disco que estreou em primeiro lugar no Billboard 200 — e com uma regravação de “Ride the Lightning” no fim. Não é revanche. É respeito.

Dave Mustaine não deveria estar aqui. Não no sentido dramático da expressão — no sentido literal. Pescoço fundido. Dano no nervo radial do braço. Dupuytren’s contracture nas mãos, que vai curvando os dedos em direção à palma da mão, tornando cada acorde mais doloroso que o anterior. “Eu não achei que fosse viver tanto tempo, honestamente”, disse ele numa entrevista recente.

Mas está aqui. Com 64 anos, 40 de carreira, mais de 50 milhões de discos vendidos e um Grammy no currículo, Dave Mustaine encerrou o capítulo do Megadeth da única maneira que faz sentido para alguém com essa história: nos seus próprios termos, com o melhor álbum que conseguia fazer, numa turnê de despedida que ainda vai durar alguns anos.

O álbum de estúdio simplesmente intitulado Megadeth — o 17º e último da banda — foi lançado em 23 de janeiro de 2026. Estreou em primeiro lugar no Billboard 200. Em 40 anos de carreira, era a primeira vez.

Foto: Gabriel Ramos @gabrieluizramos
Foto: Gabriel Ramos @gabrieluizramos

A história que todo fã de metal já sabe — e que nunca perde o peso

Em 1983, Dave Mustaine foi demitido do Metallica. Não numa reunião, não com conversa franca — por telefone, num ônibus, a caminho de Nova York. James Hetfield, Lars Ulrich e Cliff Burton haviam tomado a decisão. Mustaine desceu no primeiro ponto e foi mandado de volta para a Califórnia.

O que aconteceu depois é uma das histórias mais notáveis do rock: ele fundou o Megadeth, contratou músicos, ensaiou até sangrar, e construiu uma carreira que vendeu 50 milhões de discos e produziu álbuns que muitos fãs consideram tecnicamente superiores a qualquer coisa que o Metallica lançou no mesmo período. Rust in Peace (1990) ainda é citado como um dos maiores álbuns de metal de todos os tempos. Peace Sells e Countdown to Extinction entraram para a história por direito próprio.

Mustaine passou décadas alimentando uma rivalidade que ninguém pediu para ele abandonar — e que foi parte integrante da identidade do Megadeth por muito tempo. Até agora.


O gesto que ninguém esperava

No fim do álbum Megadeth, depois da faixa de encerramento “The Last Note” — cujos versos finais declaram “Here’s my last will, my final testament, my sneer / I came, I ruled, now I disappear” — há uma última música. Uma regravação de “Ride the Lightning”, o clássico do Metallica de 1984, co-escrita pelo próprio Mustaine com James Hetfield, Cliff Burton e Lars Ulrich nos dois anos em que esteve na banda.

É a primeira vez que Mustaine grava a música com o Megadeth. E ele foi direto sobre o porquê: “Conforme eu chego ao fim de uma vida inteira de carreira, a decisão de incluir ‘Ride the Lightning’ foi para prestar meu respeito a onde minha carreira começou. Eu queria garantir que nada ficasse sem ser dito.”

Não é uma provocação. É uma homenagem. Um homem que construiu uma das maiores carreiras do metal voltando ao ponto de partida e reconhecendo a dívida — não com ressentimento, mas com gratidão pelo que aquela demissão o obrigou a criar.


O álbum que encerra tudo

Megadeth foi gravado em sessões intensas de 12 horas diárias ao longo de quatro semanas, produzido por Mustaine e Chris Rakestraw. O lineup da gravação reúne o guitarrista finlandês Teemu Mäntysaari, o baixista James LoMenzo e o baterista belga Dirk Verbeuren — a formação que acompanha Mustaine neste capítulo final.

As dez faixas principais do disco transitam entre thrash técnico, peso direto e momentos de vulnerabilidade que álbuns anteriores raramente permitiam. “Tipping Point” abre com a ferocidade de sempre. “Puppet Parade” chegou ao top 9 da parada Hard Rock Songs antes mesmo do lançamento. E “The Last Note” funciona exatamente como o título promete — uma declaração de encerramento honesta, sem floreio.

O álbum estreou em primeiro lugar no Billboard 200. Em 40 anos de carreira, era a primeira vez que o Megadeth atingia esse patamar. Mustaine soube da notícia e disse, simplesmente, que era “como uma chubby grande”. Isso é Mustaine.


São Paulo, 2 de maio — quem estava lá, estava na história

A turnê de despedida do Megadeth passou pelo Brasil em maio. No dia 2, o Espaço Unimed recebeu o show em São Paulo — parte da leg latino-americana que incluiu Lima, Bogotá, Buenos Aires e Santiago.

O setlist da turnê é generoso com os clássicos: 17 músicas, a maioria do back catalog — “Hangar 18”, “Sweating Bullets”, “Countdown to Extinction”, “Tornado of Souls”, “Symphony of Destruction”, “Peace Sells” e “Holy Wars… The Punishment Due”. Apenas dois números do álbum novo entram em cena por noite. Quem foi ao show não precisava conhecer o novo disco para sair satisfeito. Precisava apenas saber quem é Dave Mustaine.

A turnê segue. O Megadeth subirá ao palco no Sonic Temple em Ohio no dia 17 de maio, e depois embarcará para a Europa, onde abrirá shows do Iron Maiden na “Run for Your Lives” World Tour — a turnê de 50 anos da maior banda de heavy metal do planeta. A agenda se estende até 2027.


Um homem que nunca parou de lutar

O que torna a despedida do Megadeth diferente da maioria é a ausência de performance. Não há drama ensaiado. Não há declarações grandiloquentes sobre legado. Mustaine está parando porque o corpo está dizendo que é hora — e ele prefere sair tocando bem a continuar tocando mal.

“Eu ainda poderia continuar se não estivesse lutando contra essas coisas”, disse ele. “Mas eu não quero subir no palco quando não estou no meu melhor. Não sou o tipo de cara que gosta de estar doente.”

Na mensagem que acompanhou o anúncio da turnê de despedida, Mustaine escreveu: “Nós começamos um estilo musical, começamos uma revolução, mudamos o mundo da guitarra e como ela é tocada. Não fiquem tristes, sejam felizes por nós. Venham celebrar comigo nesses próximos anos.”

Quarenta anos depois de uma demissão por telefone num ônibus, Dave Mustaine deixa o palco de cabeça erguida, com o número um na parada e “Ride the Lightning” tocando no fim do último disco. A história fechou o círculo da melhor forma possível.


📦 BOX DE SERVIÇO

Megadeth — Álbum Final Lançamento: 23 de janeiro de 2026 Gravadora: Tradecraft / BLKIIBLK (Frontiers Label Group) Produção: Dave Mustaine e Chris Rakestraw Disponível em: Spotify, Apple Music, YouTube Music e demais plataformas Formatos físicos: CD, LP e edições especiais — megadeth.com

Faixas de destaque:

  • “Tipping Point” (single principal)
  • “Puppet Parade”
  • “The Last Note”
  • “Ride the Lightning” (bonus track — regravação do clássico do Metallica)

Documentário: Megadeth: Behind the Mask — lançado em cinemas em 22 de janeiro de 2026

Próximas datas da Farewell Tour:

  • 17/05 — Sonic Temple, Ohio (EUA)
  • Datas europeias a partir de maio/junho
  • Suporte ao Iron Maiden na Run for Your Lives Tour — outono 2026
  • Datas norte-americanas a partir de agosto
  • megadeth.com para agenda completa e ingressos

📎 FONTES

  • Loudwire — “Megadeth Lean Heavy on Hits at 2026 Farewell Tour Kickoff – Setlist + Videos” — loudwire.com, fevereiro 2026
  • Rock Cellar Magazine — “Set the World Afire: Dave Mustaine on Megadeth’s Final Album” — rockcellarmagazine.com, janeiro 2026
  • Billboard — “Megadeth’s Dave Mustaine on Health Issues, 2026 Tour & Hitting No. 1” — billboard.com, fevereiro 2026
  • Premier Guitar — “Dave Mustaine on Megadeth’s Final Album and a Lifetime of Riffs” — premierguitar.com, fevereiro 2026
  • Wikipedia — “Megadeth (album)” — en.wikipedia.org
  • Loudwire — “Megadeth’s Farewell Tour — See Every Date Announced So Far” — loudwire.com

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