Maio terminou mal para a bolsa. O Supremo ainda não tem quórum completo. E o Estreito de Ormuz continua fechado.
Não faltou assunto na sexta-feira de encerramento do mês. Três frentes — economia doméstica, política institucional e geopolítica — se movimentaram ao mesmo tempo, e nenhuma entregou resolução. É o tipo de dia que exige atenção antes de qualquer decisão financeira ou estratégica.

Ibovespa fecha maio com a pior queda mensal em mais de dois anos
Maio de 2026 vai entrar nas planilhas de quem investe com uma marca ruim: queda acumulada de 7,2% no Ibovespa — o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.
O índice acumulou sete semanas consecutivas de perdas. Saiu da faixa de 187 mil pontos — onde havia renovado recordes em abril — para a casa dos 173 mil. O dólar acompanhou o movimento e fechou o mês acima de R$ 5,00, com alta de 1,82%.
O dado que pesou mais veio de dois lados ao mesmo tempo. Investidores estrangeiros retiraram R$ 14,1 bilhões da bolsa brasileira em maio, segundo a Agência Brasil — sinal de que a percepção de risco aumentou. E o PIB do primeiro trimestre, divulgado na quinta-feira, cresceu 1,1% — acima do esperado, o que reduziu as apostas em novos cortes da Selic. Boas notícias econômicas, neste contexto, viraram argumento para manter os juros onde estão.
Para quem poupa em reais, investe em renda variável ou toma crédito, o recado é direto: o custo do dinheiro segue alto e o ambiente exige mais cautela do que entusiasmo.

Lula anuncia reenvio de Messias ao STF — e o Senado já se prepara para a batalha
O presidente Lula anunciou ontem, durante cerimônia em Sergipe, que vai reenviar ao Senado o nome de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi direta: “Ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez.”
Em abril, o Senado rejeitou a indicação por 42 votos contra e 34 a favor — a primeira derrota de um indicado ao STF desde 1894. A vaga está aberta desde outubro de 2025, quando o ministro Luís Roberto Barroso se aposentou.
O obstáculo é concreto: uma norma da Mesa do Senado, de 2010, impede nova votação do mesmo nome na mesma legislatura. Aliados do governo argumentam que a regra é infralegal e pode ser superada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre — que articulou a derrota de Messias em abril — será o árbitro central dessa negociação.
A composição do Supremo importa para além da política. Afeta segurança jurídica, ambiente de negócios e as decisões que moldam o cotidiano de empresas e cidadãos. O desfecho desse impasse vai definir, em parte, o tom institucional dos próximos anos.

Trump convocou reunião “decisiva” sobre o Irã — e não decidiu nada
O presidente dos Estados Unidos reuniu sua equipe de segurança nacional ontem na Sala de Situação da Casa Branca para tomar o que chamou de “decisão final” sobre o Irã. Quase duas horas depois, a reunião terminou sem anúncio.
A pauta era clara: aceitar ou rejeitar um acordo provisório com Teerã que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz — passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo. Trump postou no Truth Social uma série de exigências ao governo iraniano, incluindo a abertura imediata do estreito e o compromisso de não desenvolver armas nucleares. O Irã rejeitou os termos e acusou Washington de tentar construir uma “falsa vitória”.
O impasse se arrasta desde os ataques militares americanos a instalações nucleares iranianas em fevereiro deste ano. As negociações têm sido mediadas pelo Paquistão — o que já diz algo sobre o nível de confiança mútua entre as partes.
O Estreito de Ormuz permanece com tráfego restrito. Para quem acompanha preços de combustível, custo de frete ou inflação de alimentos, a indefinição tem consequências práticas. O mercado de petróleo segue instável enquanto Washington e Teerã não encontram uma saída.

ANS define o menor reajuste de planos de saúde desde o ano 2000
Uma boa notícia para quem paga plano de saúde individual — e vale entender o que ela significa de verdade.
A ANS aprovou ontem o reajuste máximo de 5,11% para planos individuais e familiares em 2026. É o menor índice autorizado pela agência desde o ano 2000, quando o teto foi de 5,42%. A única exceção foi 2021, quando os planos ficaram mais baratos por efeito da queda no uso de serviços durante a pandemia — um caso fora do padrão.
Para ter escala: em 2022, o reajuste foi de 15,5%. Em 2025, de 6,06%. A trajetória de queda vem sendo consistente, e o número deste ano confirma a tendência.
Um detalhe importante: o teto aprovado vale apenas para planos individuais e familiares — aqueles contratados diretamente pela pessoa física. São cerca de 7,7 milhões de beneficiários no Brasil, o equivalente a 14,5% do total de usuários de planos de saúde. Planos empresariais e coletivos ficam fora dessa regra e têm reajustes negociados livremente entre empresas e operadoras.
O reajuste pode ser aplicado pelas operadoras a partir do mês de aniversário de cada contrato, entre maio de 2026 e abril de 2027.
Para os quase oito milhões de brasileiros com plano individual, a conta de saúde deste ano sobe menos do que nos últimos quatro anos. Pouco, mas concreto.
Nas três primeiras notícias, um denominador comum: nenhuma acabou onde deveria. A bolsa fechou o mês no vermelho, o Supremo segue incompleto e o Estreito de Ormuz continua fechado. O fim de semana chega com dever de casa.
Fontes: Agência Brasil — “Ibovespa acumula queda de 7,2% em maio, pior mês desde fevereiro de 2023” — agenciabrasil.ebc.com.br — 30/05/2026 G1 / Globo — “Lula anuncia que vai reenviar nome de Messias ao STF” — g1.globo.com — 29/05/2026 Reuters — “Trump holds Situation Room meeting on Iran, no announcement” — reuters.com — 29/05/2026


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